Quanto espaço ocupa um bebê?

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Hoje olhei para a mesa da minha sala e me deparei com essa cena. Antes do Lucas  nascer eu tinha a casa toda arrumada, os lixos todos vazios, as noites todas para dormir, todas as horas do final de semana pra mim.

“Quanto espaço ocupa um bebê?” Se me perguntarem isso hoje, simplesmente direi que são “todos”. Não há espaço sequer hoje que não seja invadido, com consentimento ou não. Meu filho ocupa todos os espaços da minha vida.

Minha casa vive cheia de brinquedos coloridos por todos os lados, colorindo a minha rotina. Acordo com gritinhos, grunhidos e chorinhos recompensados com um sorriso alegre e sincero quando chego por perto. Já não tenho noites de sono e nem silêncio, mas tenho o som da vida o tempo todo, sem poder ou querer desligar o botão do “play” ou colocar no “mute”.

Minhas roupas são invadidas por cheiro de leite e meus cabelos andam sempre presos ou corro o risco de não ter mais fios sobreviventes às puxadas de cabelo feitas pelo bebê no dia a dia.

Não posso escolher se vou à festa, se passeio na praia, se tomo um vinho, se relaxo num banho. Ou melhor dizendo, até posso escolher sim fazer essas coisas, desde que com a permissão da entidade suprema chamada “bebê” que não me deixa programar nada com 100% de certeza, porque ele pode chorar, ou ter frio, ou febre, ou sono, ou cólicas ou simplesmente querer colo e eu vou deixar o mundo em segundo plano para estar com ele.

É uma invasão desmedida, que me lembra até aquela música do Capital Inicial

“Vou estar em tudo em que você vê                                                                                              Nos seus livros, nos seus discos                                                                                                            Vou entrar na sua roupa                                                                                                                     E onde você menos esperar                                                                                                             Eu vou estar”

Mas não reclamo não. Ainda é um aprendizado diário ser invadida dessa maneira, mas, ao mesmo tempo, não há recompensa maior do que o sorriso alegre e inocente de quem te ama sem limites, do corpinho quente aconchegado no colo da gente, das mãozinhas ativas e carinhosas que exploram o meu rosto enquanto mama, do olhar inocente que me olha e não vê as minhas fraquezas, pois para ele ainda sou a “Mulher-Maravilha”.

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