Toda mãe é um mulherão da porra

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Foto: Helô Priedols

A nova expressão da moda é dizer que fulana de tal é “um mulherão da porra”. Uma forma de designar mulheres de coragem, admiráveis. Fico aqui só pensando que mulherões da porra são as mães. E elas o são todos os dias.

Que mulherão da porra são elas que aguentam todos os transtornos da gravidez, porque, convenhamos, estar grávida é lindo, mas um perrengue enorme. São dores, enjoos, mal estar, desconforto, gases, arrotos, roupas que não cabem, estrias, barriga que cresce, bebê que se mexe, noites sem dormir, cabelo que cai, tintura de cabelo que se vai, deixando aparência desleixada pra lembrar a essas mulheres que a coisa só vai ficar mais difícil. São as dores do parto, as dores da alma, os conflitos de amor e ódio com seu próprio corpo, sua própria vida, sua própria personalidade, suas próprias limitações. É o rir num instante e se debulhar em lágrimas em outro, é estar acompanhada de marido, amigos e família, ou só, como as mães solteiras em uma jornada sem fim, mas sempre sentindo um misto de companhia do próprio bebê na barriga e uma solidão infinita de quem aos poucos se descobre mãe e se perde como mulher.

Que mulherões da porra são essas que perdem os filhos em algum momento da sua própria jornada, numa cilada da vida, que, sem perguntar, lhes obrigada a seguir por um caminho que não é o natural, que lhes causa uma dor infinita, que jamais vai se calar dentro delas é, ainda assim, seguem em frente.

Que mulherões da porra são essas mães que vivem um parto, seja natural ou por cesárea, porque mãe é mãe e só quer ver o filho no final dessa jornada, seja qual for o caminho. Que no parto normal passam por horas de sofrimento com contrações intermináveis ou que no pós parto da cesariana, depois de sete camadas de pele cortadas, com a marquinha do amor ainda vivem a maternidade plena e sem diferenciação. E que mulherões da porra ainda passam por mais traumas com violências obstétricas e partos não humanizados e, apesar de todo o sofrimento da alma, ainda assim vêem a beleza de se ter um filho. E que mulherões da porra são essa mães que foram mães através de filhos que não lhes saíram do próprio ventre e, ainda assim, lhes dedicam a vida com o mesmo amor de um filho biológico, porque o amor está no coração e na alma, não necessariamente no útero.

Que mulherões da porra são essas que se descobrem fortes, mas choram no banheiro de cansaço, de desgaste, de uma solidão infinita da alma que a maternidade causa, especialmente no puerpério. Que mulherões da porra são essas que vivem como zumbis por noites sem dormir, que dão o peito, mesmo sangrando de dor para alimentar a cria.

Que mulherões da porra são essas que trocam fraldas infinitamente, que suportam a fadiga física e mental que nenhum super herói faria melhor.

Que mulherões da porra são essas que defendem as crias com unhas e dentes, que zelam o sono, que abraçam nas quedas, que suportam seus filhos física, emocional e financeiramente do momento que nascem até seu último suspiro.

Que mulherões da porra são essas mães que não desligam nunca, que checam todas as noites de o bebê está respirando, se a criança almoçou corretamente, se o cocô está durinho na fralda, se o desfralde está acontecendo corretamente, se o filho não está sofrendo bullying na escola, se a filha está na internet com desconhecidos, se as crianças (e os adolescente e os adultos, seus filhos) estão agasalhados, se a cria voltou segura da balada, se está com as companhias certas, se está sofrendo por amor, com o coração partido ou a alma desolada, se está confortável com a sua sexualidade, se está usando camisinha, se tem namorados e namoradas que os respeitem, se o casamento dos filhos vai bem. Que mulherões da porra são essas cujo primeiro e o último pensamento do dia não são em si mesmas, mas em seus filhos.

Que mulherões da porra são essas que levantam às 4h da manhã para fazer a lancheira da escola, mesmo tendo ido dormir meia noite, depois de um dia de trabalho intenso, seja fora ou em casa.
Que mulherões da porra são essas mães que largam do mundo para segurar a mão de uma criança. Que mulherões da porra são essas mães que abrem mão de tanta coisa para serem mães. Abrem mão muitas vezes de marido, de família, de dinheiro, de carreira, de outros sonhos, de vida de luxo, de conforto, de uma noite com os amigos, do último pedaço de bolo, do prato de comida ou um simples chopp numa noite de verão. É trocar uma vida inteira por noites sem dormir, por cabelos relaxados, por leite vazando pelas roupas, por preocupações eternas, por um corpo que nunca mais será igual, por uma alma que jamais será a mesma. Ser mãe é fazer concessões todos os dias, em todos os níveis, pela vida toda, por alguém que não é você mesma. Quer coisa mais sublime, mais heróica, mais completa de amor, mais divina em todos os âmbitos, do que ser mãe?

Só fico aqui pensando, que mulherões da porra são as mães!

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