A chegada do segundo filho

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Estou vivendo exatamente esse momento, a chegada do segundo filho. E que difícil é esse período. Aliás, não encontrei nada na maternidade até hoje que fosse fácil, nem mesmo amar, porque amar demais os filhos dá em contrapartida outras preocupações e culpas.

É curioso como a maternidade é sempre um duelo no interior de uma mãe, uma conta que nunca fecha, uma balança que nunca equilibra, porque por trás desse duelo existe uma mãe nunca satisfeita com seu desempenho na maternidade, sempre achando que poderia fazer mais e melhor. Nós mães não precisamos de um julgamento final porque já fazemos isso com nós mesmas, todos os dias. Somos as mais cruéis juizas de nós mesmas.

Meu filho Lucas tem 1,5 anos. Alice vai nascer nos próximos dias. Engravidei da Alice quando o Lucas tinha 9 meses. Ambas as gestações foram planejadas e cheias de amor. Hoje, faltando poucos dias para a chegada da Alice, me senti sem chão. E os motivos são muitos. Imaginei que engravidando quando o Lucas ainda era um bebê, as coisas seriam mais fáceis, pelo menos no qusito de criar os dois juntos, com uma diferença de idade pequena, condição que os faria mais próximos e amigos. Logo eu também teria um pouco de chance de me descobrir mais rápido novamente como mulher, como profissional, como mãe. Literalmente, o que pensei foi “Já que estou no perrengue com um bebê pequeno, melhor ter o outro logo e viver esse perrengue de uma vez, porque se demorar muitos anos, eu desisto”. E assim foi. Hoje vejo que não existe momento perfeito para ter o segundo filho, que novamente os planos em relação à maternidade fogem do controle, mas mesmo assim, vale a pena e eu não mudaria nada nessa história da construção da minha família.

Mas outro ponto, e que hoje é o que mais me atormenta, é que achei que o Lucas não sentiria tanto a chegada da irmã se ele fosse novo. Achei que o ciúmes e esse sentimento de deixar de ser o filho único só o atingiriam se ele tivesse mais idade para entender isso. Aí veio a vida e me pregou mais uma peça.

Lucas sente a presença da irmã chegando a cada dia. Noto nele um desespero da perda de um lugar que sempre foi dele. Na verdade continuará sendo, mas ele ainda não tem capacidade de se expressar e nem de entender que o amor vai crescer e não dividir. Hoje na soneca da tarde ele pediu o meu colo desesperadamente, chorou, chamou mamãe insistentemente e me abraçava e chorava como se eu fosse partir naquele minuto e nunca mais voltar. E o que eu fiz? Abracei-o forte e choramos juntos até ele dormir. Cada um com seus medos e suas dores, por saber que as coisas vão mudar. Eu sei que vai ficar mais fácil, que ele não amará a Alice no primeiro instante, como eu já a amo, mas que as coisas vão se acalmar em nossos corações de mãe e filho e esses dias estranhos de sentimentos vão passar para dar vazão a uma família linda e cheia de amor. Mas a verdade é que o Lucas sente, mas não entende. Por mais que eu tente deixar o Lucas preparado para a chegada da irmã, por mais que ele acaricie a minha barriga, dê beijos nela, ele ainda não sabe exatamente o que está por vir. E me dói não conseguir prepará-lo para isso.

Hoje vejo que, não importa quantos anos se passaram desde que o seu primeiro filho nasceu, você se sentirá um pouco triste com o fato de não haver mais um tempo exclusivo para vocês dois. Eu sei que ele já sente o memso também, como jeitinho dele, com a inocência de quem ainda está começando a ver o mundo. Vou usar mais uma vez o mantra sagrado das mães e repetir inúmeras vezes para mim mesma “vai passar”, mas a verdade é que estou aqui mais uma vez no antagonismo da maternidade, de esperar ansiosamente a chegada da Alice, com todo o amor do mundo e, ao mesmo tempo, chorar de saudades do Lucas como filho único e ver nos olhinhos dele de choro e no abraço apertado um pouco dessa melancólica “despedida” entre nós dois e o nosso universo particular.

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