Mãe é um “bicho” estranho

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Mãe é um bicho estranho. Se a barriga pesa, a bexiga incha e as costas doem, lá estão as mães, com seu sorriso no rosto, na expectativa de ver o pequeno ser que sairá dentro delas.

Se o o bisturi invade ou as contrações apavoram, se o corpo deforma, as estrias chegam, os seios caem, ainda assim as mães fariam tudo de novo para serem mães.
Se o puerpério assombra, os hormônios zombam da mente, do corpo e da alma, ainda assim as mães se mantém em pé, firmes como rochas para cuidar das crias, mesmo que em seu mundo interior ela esteja à beira do abismo.

Se o bebê não dorme, reza pra dormir. Se o bebê dorme, fica louca esperando ele acordar, certificando a respiração a noite toda. Se o bebê chora, quer jogar ele pela janela (não no sentido literal, por favor!), mas basta um olhar e um sorrisinho daquele montinho de gente indefeso pra esquecer a pior das noites chorosas.
Se a criança faz birra, mãe dá bronca num segundo e morre de culpa no outro. Mãe sente culpa o tempo todo, sempre buscando uma perfeição inexplicável, inexistente, inalcançável. Mães sempre acham que poderiam ter feito mais e diferente.

Se os seios sangram, mãe ainda está lá, pronta a cada mamada, pra oferecer o melhor leite do mundo ao seu filho, com dor ou não. Se a mãe está com fome, mas o filho quer o último pedaço de bolo, mãe dá e fica na vontade. Me abdica, se reprime, se condena, ama e sofre o tempo todo, na mesma velocidade, na mesma intensidade.
Ser mãe é uma doideira cruel, inexplicável, o mais forte dos entorpecentes da vida. Só quem mãe sente, ao mesmo tempo, as delícias da maternidade e o seu caos interno.

Entre tanto sofrimento interno e desespero e amor e caos e paciência e ansiedade e culpa e afeto e saudade e tantos outros sentimentos, mãe está ali, onipresente para o filho, colocada num pedestal de amor (pelo menos enquanto os filhos são pequenos), que é alguma recompensa diante da maternidade real, porque Mãe tem um quê de autoridade espiritual, é uma divindade acima do bem e do mal. Mãe é mãe. Não há uma palavra no mundo que seja tão perfeita, tão potente, tão cheia de nuances e tão enrustida de tantos sentimentos quanto a palavra “mãe”. Mãe é mais ou menos como o amor, não se define, apenas se sente.

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