Sobre paternidade ativa

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Um dia alguém me disse que eu amaria mais o meu marido dependendo da maneira como ele tratasse meus filhos. Não achei que isso fosse verdade, até descobrir no meu marido um ótimo parceiro para a maternidade/paternidade.

Sou dessas que não transforma o homem em herói porque troca uma fralda, que não vê com bons olhos a paternidade como “ajuda” à mãe. Pra mim, Pai de verdade tem que ser parceiro, pôr a mão na massa, acordar de madrugada, pegar água enquanto eu amamento, trocar fralda de cocô sujo, sair correndo atrás da cria pra não bater a cabeça quando aprende a andar, sentar pra contar histórias, brincar de aviãozinho, dar banho antes de dormir, preparar comida quente, levar na escola, colocar o uniforme, ninar e tudo mais. Isso não é heroísmo não, é paternidade real e presente. Se a mãe pode fazer e faz tudo isso, o pai também pode. E deve! Mãe e pai devem ser igualmente responsáveis pela criação e educação dos filhos.

Queridos homens, os tempos mudaram, aceitem, sejam flexíveis e adaptem-se. Se anos atrás os homens que faziam afazeres domésticos ou cuidavam dos filhos eram raros ou mal vistos, hoje esses caras são os que nós, mulheres e mães modernas, queremos. Queremos aquele “homão da porra” do nosso lado, nem na frente e nem atrás, pra acompanhar os “mulherões da porra” que somos nós mulheres de hoje, plenas, seguras e empoderadas para sermos o que quisemos, sem deixar nenhum caminho de lado.

Quando um homem diz que “ajuda” uma mulher a criar seus filhos, coloca nela toda a responsabilidade da maternidade e se isenta do seu papel de pai, dando à mulher apenas obrigações e tirando dela os prazeres da maternidade, dos momentos leves e descompromissados com os filhos. E sim, esses momentos leves existem, acreditem! É só ter calma, tempo e espaço para olhar com o coração e não com o peso da obrigação nas costas.

E quando a parceria mãe-pai flui bem na criação dos filhos, a vida ganha outros ares e o amor cresce.

Mas, pela minha experiência com a maternidade, mães e pais tem tempos de aprendizados diferentes. Se seu marido não é logo de cara um paizão super participativo, vale insistir, ensinar e apoiar. Acreditem, os homens também chegam lá e podem ser fundamentais e confiáveis no cuidado com os filhos.

A verdade é que as mães não têm escapatória, viram mães já na gravidez, no positivo do primeiro exame. Não importa se você sabe trocar fralda, se nunca amamentou, se nunca ninou um bebê. Quando nasce a cria, a mãe se vira e ponto final. Sabendo ou não o que fazer, a mãe vai usando seu instinto porque o bebê depende dela totalmente. Se a mãe não fizer, pode não haver ninguém quem faça. O aprendizado da mãe é na marra. Já o pai, com raras exceções da não presença da mãe na vida do bebê, tem tempo para aprender a ser pai.

Na gravidez, por exemplo, pelo fato dos homens não sentirem os sintomas e as dificuldades da gestação, passam incólumes e muitas vezes nem se sentem pais. Eu me lembro que meu marido não chorou quando contei sobre a primeira gravidez e aquilo me deixou, na época, bem incomodada. Eu só pensava “como ele pode mais se emocionar????”, mas a verdade é que, para o meu marido, ser pai era algo bem abstrato nessa época. Meu marido só foi chorar de emoção no nascimento do Lucas. Chorou sem parar e eu não sabia quem era a criança que segurava quem. Já na segunda gestação, meu marido chorava mais do que eu com a notícia de um novo bebê, pois ele já conhecia de perto a realidade de ser pai.

Lembro-me que no nascimento do Lucas, meu primeiro filho, meu marido não sabia como e nem tinha coragem de pegá-lo no colo. Meu marido tinha tanto medo de pegar errado o bebê, deixar cair ou sei lá o quê, que ele simplesmente não segurava o Lucas. Eu notei isso e a primeira coisa que fiz, depois que as visitas foram embora na primeira noite na maternidade, foi sentar o meu marido no sofá do quarto e falar “Senta aí que você vai aprender a pegar o Lucas. Ele é seu filho, precisa de colo e você tem que aprender a fazer isso” . Sentei então o marido no sofá da maternidade e coloquei nele almofadas e travesseiros por todos os lados, de forma que ele não precisasse fazer esforço algum para segurar o bebê e podia sentir segurança que o bebê não cairia. E assim foi. Peguei o Lucas no berço e coloquei com carinho no colo do meu marido, coberto de almofadas. Ele sorriu meio sem jeito, segurou o bebê ali em cima das almofadas, não se mexeu de tanto medo de deixar o bebê cair e chorou de emoção com o primeiro filho no colo por quase meia hora. Foi um momento mágico para ele e para mim. E foi nessa hora também que eu percebi que ia ter que ajustar muita coisa no maridão antes de considerá-lo um bom pai.

Desde esse dia, eu posso dizer que meu marido têm se superado a cada dia. E vejo que com o segundo filho as coisas são ainda mais fáceis, com muito mais participação da parte dele, até mesmo porquê, com duas crianças em casa, não tem como o marido não entrar na dança da maternidade/paternidade. Com dois filhos, não tem escapatória para o marido. Ou ele ajuda ou ele ajuda, senão todo mundo enlouquece.

Mas fico bem feliz que ver a parceria entre eu e o meu marido crescer a cada dia no cuidado e na educação dos nossos filhos. E a gente ganha como casal e nossos filhos ganham também com pais unidos e presentes.

Esse é a minha dica para as mamães, especialmente as de primeira viagem. Não esperem que os maridos sejam perfeitos pais logo de cara. Ajudem-os a serem pais e abram espaço para que eles exerçam a paternidade.
E para o meu maridão, um recado. Muito orgulho de você e do pai presente e participativo que você tem se tornado a cada dia! Te amo!

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